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Belleatec

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  O nome belleatec é resultado de um engano cometido pelo mesmo sentido que nos possibilita compreender os sons: a audição. Surgiu depois que eu e o produtor mineiro Paulo Beto decidimos aceitar, de última hora, um convite para abrir o show do Atari Tennage Riot, em Belo Horizonte. Por telefone, o que era para ser "belatec", uma abreviação despretenciosa de bela tecnologia, acabou se transformando em "belleatec" e dessa forma foi impresso nos cartazes produzidos para o evento.

Detalhe importante é que, quando aceitamos o convite, da extinta Motor Music Eventos, tinhamos somente uma música finalizada e apenas um mês para produzir, pelo menos, outras quatro. Nos fins de semana seguintes, desloquei-me do Rio de Janeiro para Juiz de Fora, onde o PB residia, para compor letras e melodias vocais das novas músicas que ele produzia durante a semana.

Era março de 1998 quando nos apresentamos pela primeira vez para uma platéia de cerca de 800 pessoas, tendo como espectadores ilustres Alec Empire, Hanin Elias, Nic Endo e o falecido MC Carl Crack. Foi também a primeira vez que eu subi em um palco, compreensivelmente encorajada por algumas doses de conhaque. :)

No mesmo ano, participamos de outros dois festivais, ambos idealizados por Elza Cohen, no Rio de Janeiro: o Motim e o Superdemo. O belleatec encerrou suas atividades no final de 1998, devido a indisponibilidade de tempo de seus integrantes. Atualmente, o PB se dedica à produção de trilhas sonoras para filmes e participa de diversos projetos, entre eles, Anvil FX, LCD, Freakplasma e Zeroum.

Você pode está se perguntando: o que o belleatec tem a ver com Digital Harcore? Eu explico. As primeiras músicas foram produzidas especialmente para o show do Atari, mas depois que encerrei o projeto com o PB, decidi recriá-lo com a ajuda de outro amigo, o Rodrigo Gorky, também do Rio de Janeiro, que compartilhava as mesmas influências que eu, o que fez com que novas músicas soassem mais como um mix de Bossa Nova, Post-rock, Trip Hop, entre outros estilos, sem deixar de lado a característica Experimental e Eletrônica. Por sua vez, o Gorky convidou um amigo dos Estados Unidos para se juntar ao grupo.

Naquela época, o formato mp3 era a grande novidade e foi exatamente o que usamos para fazer nossas músicas viajarem para o hemisfério norte e retornarem com o toque especial dos arranjos e produção de Corey Cunningham. E assim, no final de 1999, quando o Gorky precisou se mudar para o Paraná, o belleatec já estava confortável em seu papel de banda virtual, co-existindo entre Rio de Janeiro, Curitiba e San Francisco, California.

No ano 2000, lançamos, independentemente, o single Tetra Pak. A configuração, até então, pouco convencional da banda, chamou a atenção da imprensa e ganhamos destaques em jornais e revistas no Brasil. Nossa música, também chamou a atenção pela sonoridade e, em 2001, Caos e Sophia foram tocadas no programa do saudoso John Peel, na radio 1 da BBC de Londres.

Não chegamos a nos vincular mais profundamente a um selo, mas participamos de vários projetos independentes, incluindo um tributo em homenagem ao French Pop, lançado no Canadá. Algumas músicas ainda são desconhecidas pelo nosso pequeno, mas carinhoso público. E a pergunta que sempre me fazem é: e o belleatec, acabou? Exatamente a mesma pergunta que eu faço a respeito do Portishead. :)

Enquanto aproveitamos nossas longas férias ou talvez o nosso descanso permanente, você pode ouvir a banda do Corey, o Magic Bullets e a banda do Gorky, o Bonde do Rolê, aqui no MySpace. Já eu não tenho uma nova banda, mas participei de alguns projetos de amigos, como Anvil Fx e Projeto Mono e estou sempre disposta a fazer musica por diversão. E o futuro? Não pertence a ninguém. Como diria o Jean Cocteau, não existem os precursores, existem apenas os atrasados. :)

Tarcila

 

 MySpace URL: 
 
  http://www.myspace.com/belleatec  

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