Quando nos ensinaram na escolinha, era muito simples: a meiúca dos anos 70 era uma época terrÃvel, em que uma praga musical chamada Rock Progressivo havia sido inventada por músicos pretensiosos, como um desvio de caráter da psicodelia, com o propósito claro de eliminar os colhões do rock’n’roll a golpes de virtuose exibicionista e de longos solos despropositados e tediosos. Pior, haviam conseguido. Tudo era triste, ninguém conseguia montar uma banda a menos que soubesse tocar todas as peças de Bach, Beethoven e Chopin no cravo, ao mesmo tempo, com uma mão só. Até que apareceu sobre a face da terra o nosso maior herói, o punk, que salvou o rock e desde então fomos todos felizes.
Mas ainda era preciso tomar cuidado para evitar o retorno do monstro. O principal era observar a ética pós-punk e renegar tudo o que veio antes. Quer dizer, fora o Velvet Underground e os Doors. E David Bowie. PeraÃ, rock anos 50 também pode. Tá, Beatles e psicodelia tudo bem. Inclusive o Pink Floyd, mas SÓ COM O SYD BARRET. E mais um e mais outro... meio esquisito, mas vamos que vamos. O lance é eliminar os floreios. Assim, lá vinha o conflito ético quando o melhor disco do Echo and the Bunnymen era justamente aquele cheio de violinos e violoncelos, como é que fica isso?
Aà piora quando aparece o post-rock. Ah, quer saber? Um ou outro progressivo até pode, principalmente se for alemão. Ou o King Crimson. Mas com calma. E é quanto o sujeito pára pra pensar: quem é que não gosta de uma harmonia vocal bem-feita, daquelas que encheriam os Beach Boys de orgulho? Ou então uma baladona idÃlica e pastoril, daquelas árcades mesmo? Claro, de vez em quando uns riffs do mal para contrabalançar. E, putz, na verdade não foram o Pop Group e os Residents que inventaram a maluquice ablué e uns tempos esquisitaços no rock. Convenhamos também que uns lances de free jazz caem bem, hein? Assim como umas reggaezices e funkarias onde se menos espera. Mais as brincadeiras com eletrônica para as massas.
E tudo isso tem lá no prog, às vezes em uma mesma música. Ou, ainda mais grave, perceber que tocar bem pacas não é um defeito e que rolava um underground ainda mais sinistro e freak do que o surgido após o punk rock. E olhando com mais atenção, percebemos o quanto de coisa legal das bandas novas já havia sido adiantado por gente como o Pink Floyd. Pois então, como é que fica?
Fica assim, em dois volumes, já que não queremos trair o espÃrito grandiloqüente da coisa toda. Vale lembrar que prog nunca foi mesmo fácil e encarar músicas de 20 minutos exige mesmo coragem, assim como o desprendimento de ver que são realmente bonitos alguns arranjos meio Fórmula 1 e outros esquisitões. Mas, olha, não tem NENHUMA aà embaixo que eu não ouça amarradão.
A Neurose do Bucolismo:
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1. The Moody Blues – Dawn: Dawn is a Feeling ...03m49s
2. Gentle Giant – Funny Ways ...04m29s
3. Van Der Graaf Generator - Emperor in His War Room (Pt. 1 The Emperor, Pt. 2 The Room) ...08m15s
4. Soft Machine – Virtually pt. 3 ...04m39s
5. The Muffins – Hobart Got Burned ...05m58s
6. Henry Cow – Bitter Storm Ovel Ulm ...02m20s
7. Yes – And You and I ...10m05s
8. Camel - Lady Fantasy (Encounter, Smiles for You, Lady Fantasy) ...12m45s
Foi para a mesa:
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1. King Crimson – The Great Deceiver ...04m02s
2. Premiata Forneria Marconi – Generale! ...04m18s
3. Focus – Sylvia ...03m21s
4. Gong – Dynamite: I Am Your Animal ... 04m33s
5. The Nice – Rondo ...08m21s
6. Area – Luglio, Agosto Settembre (Nero) ...04m39s
7. Genesis – Supper’s Ready ...22m58s
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