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1967

Page history last edited by Dow Osage 10 years, 9 months ago

 

por Dandi Malandro

 

http://www.mediafire.com/?hgdi33ybmgx

 

quando vi a proposta do fred, a primeira coisa que me veio a cabeça

foi: por favor, jesus, que ninguém tenha pego 1967.

 

se tomarmos a qualidade musical de um ano pelos discos nele lançado,

1967 seria considerado não só o melhor, mas o mais importante ano da

história da música no século XX, por conta de dois discos: Sgt

Pepper's e Velvet Underground & Nico.

 

O primeiro foi a tréplica dos Beatles contra o Pet Sounds dos Beach

Boys, o disco que fez com que o Brian Wilson batesse o pino de vez. O

segundo é um clássico exemplo daquilo que dizem ser "um disco a frente

do seu tempo". Mas não concordo com o termo. nada pode estar a frente

do seu tempo, e ser lançado em 1967 foi crucial para que o disco se

tornasse o que tornou. sim, demorou mais de uma década para ele vender

apenas 100 mil cópias, e demorou quase vinte anos para que ele se

tornasse a pedra fundamental do rock, influenciando os melhores (na

minha opinião) artistas dos anos 80 e 90 (sonic youth, spacemen 3,

spiritualized, jesus & mary chain, joy division, radiohead etc etc

etc). enfim sua influência cresceu em progressão geométrica.

 

ok, mas por que crucial? em poucas palavras, digamos que VU&N tivesse

sido lançado hoje em dia. em meio a tantas bandas lançando discos

diariamente, há chances enormes de que verdadeiras pérolas estejam

surgindo a cada ano (para não dizer mês). mas quem pode lidar com a

quantidade de lançamentos que pululam pela internet diariamente,

filtrando tudo para descobrir o que realmente presta? a data, o

contexto histórico foi fundamental para que o disco se consolidasse,

passasse no teste do tempo e fosse recuperado para as gerações futuras

(e nem falamos em beach boys, e sequer mencionamos alguma música do

disco). bem, "recuperado" não é bem o termo, o mais correto seria

dizer que foi como o santo graal: algo que foi venerado e compreendido

por uns poucos, como que um segredo do qual poucos compartilham e

poucos compreendem. e quando chegou o momento certo, todo o universo

do rock estava contaminado e curvado diante da obra.

 

no ano anterior, pela primeira vez uma música pop mencionava deus em

sua letra (god only knows). o ano seguinte viraria sinônimo de

revolução cultural, sexual, estudantil (e por que não, de

endurecimento da censura no Brasil?). 67 é a última etapa na

pavimentação da estrada que levou a 68, um ano em que enquanto os

rádios tocavam pérolas como "can't take my eyes off of you" "ain't no

moutain high enough" e "somethin stupid" (que acabou sendo limada da

coleta na hora de fechar, um cafonérrimo dueto de frank e nancy

sinatra, que ganhou versão em português igualmente cafona -- nada de

surpreendente, afinal versões estavam muito em voga na época). temos

"girl, you'll be a woman soon" e "i'm a believer" (ambas composições

de neil diamond, belas melodias, mas com letras que não pregam

revolução, mas um certo conservadorismo no amor). Esse é o ano em que

os rolling stones fazem seu disco mais beatlesque (eles pirando em

drogas não é novidade, mas esse é o único disco deles em que se vê

claramente a influência de ácido).

 

tb é o ano do estouro para o trio que melhor representa o espírito da

década (ou melhor, a imagem que se faz daquele período): Jim Morrison,

Jimi Hendrix e Janis Joplin. para canonizar suas imagens, nada melhor

que morrer logo depois.

 

ao mesmo tempo, no underground era produzida música louca que, se não

fosse por suas versões do primal scream, acabariam passando batidas

por mim: "five years ahead of my time", do obscuro third bardo, e

"slip inside this house", do excelente 13th floor elevators.

encerrando o disco, o encerramento do Sgt Pepper's. Um perfeito

exemplo de parceria John-Paul: diferentes partes da música foram

compostas em separado, e coladas formando uma narrativa sonora com

diferentes pontos de vista. uma das minhas cinco preferidas dos

beatles.

 

para escutar o disco na ordem, abrir o arquivo de playlist que acompanha o zip.

 

1. The Rolling Stones - She's A Rainbow (4:13) - no único disco no

qual os rolling stones se deixaram levar pela psicodelia pop flower

power (their satanic majesties' request), nos brindam com uma

daquelas músicas que, quando escutadas pela primeira vez, te faz

pensar: "esses beatles eram fodas". aí você descobre que a música não

só não é dos beatles, como é de seus "adversários" stones, de quem

você espera rocks pesados, não melodias fofas que te dão vontade de

sair por aí pulando bradando o refrão a plenos pulmões. não, nenhum

beatle gravou a música, que na verdade conta com arranjo de cordas de

John Paul Jones (baixista do led zeppelin - talvez o único baixista da

história que sabia tocar muito mais do que apenas baixo).

2. The Turtles - Happy Together (2:53)

3. Neil Diamond - Girl, You'll Be A Women Soon (2:54) - poucos se dão

conta de que a música que ficou eternizada pelo urge overkill (quem?)

em pulp fiction não era deles. eu  sabia que era um cover, mas não

lembrava (ou melhor, nunca soube) que era do neil diamond (que para

mim era apenas um cantor brega que não curte internet e de quem minha

mãe era fã).

4. Bob Dylan - All Along the Watchtower (2:34) - minha preferida do

bob dylan. fiquei contente quando descobri que ela era exatamente

desse ano.

5. The Monkees - I'm a Believer (2:44)

6. Nico - The Fairest of the Seasons (4:08)

7. Aretha Franklin - Respect (2:27

8. Marvin Gaye & Tammi Terrell - Ain't No Mountain High Enough (2:29)

9. Frankie Vall - Can't Take My Eyes Off of You (3:23)

10. Nancy Sinatra - Bang Bang (My Baby Shot Me Down) (2:42)

11. Velvet Underground - All Tommorrows Parties (Stereo) (6:00)

12. The Third Bardo - Five Years Ahead Of My Time (2:14)

13. 13th Floor Elevators - Slip Inside This House (8:03)

14. Jefferson Airplane - White Rabbit (2:34) - não gostava dessa

música. a vibe dela é muito bad trip. até que descobri do que fala a

letra, e mais importante, descobri que a música tem apenas dois

minutos e meio. uma viagem completa em menos de 3 minutos.

15. Big Brother & The Holding Company, Featuring Janis Joplin - Down

On Me (2:07)

16. Jimi Hendrix - Purple Haze (2:51) - a mais foda o meste.

17. The Doors - The End (11:41) - não curto doors. fato. mas eles tem

pelo menos três músicas pelas quais tenho que dar o braço a torcer.

break on through é foda. a batidíssima light my fire foi

revolucionária, talvez um dos melhores refrões de todos os tempos (mas

ao mesmo tempo apresenta o motivo pelo qual não suporto a banda,

aquele solo de teclado de cinco minutos no meio da música). e the end

me remete a cena inicial de apocalipse now, talvez uma das mais

chocantes e perfeitas sincronias de cinema e música. também é uma das

melhores (mais causadoras?) letras do jim morrison: "Father/ Yes son?/

I want to kill you/ Mother, I want to fuck you".

18. The Beatles - A Day In The Life (5:33)

 

 

 

menções honrosas aos seguintes discos:

Love - Forever Changes

Pink Floyd - Piper Gates (assim como o Doors, não sou fã de Pink

Floyd, apesar de gostar de certas canções. bem, nenhuma delas é da

fase Syd Barret).

Buffalo Springfield

The Who Sell Out

 

cairam no último minuto:

Superbacana, do Caetano. Ia ser incluida pela estrofe copacabana me

engana (provando que o poder da princesinha do mar vem de longa data),

mas a música em si não é das mais memoráveis do Caê.

David Watts, dos Kinks. Foi indicação da Thais, especialista em Kinks

("como assim você não conhece a música?"). ia entrar, mas como foram

entrando outras coisas que eu acreditava ser mais essenciais, acabou

ficando de fora (aliás, a música tem uma intro igual a de let's spend

the night together)

I Can't Reach You, The Who

 

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